Filha peluda, que falta eu sinto!

Há quase um mês minha filha peluda partiu. Minha filha mais velha. Minha Mauí. Convivemos por quase 17 anos. E, de repente, ela não está mais aqui…que falta eu sinto!

Na verdade não foi assim tão de repente. Afinal dezessete anos na vida de um cachorro é muita coisa. E põe coisa nisso. Nesse período ela mudou de casa comigo milhares de vezes. De cidade. De país.

Me viu namorar. Quebrar a cara. Tentar de novo. Errar mais uma vez. Finalmente encontrar. Casar.

Me viu apostar no sonho de trabalhar com o jornalismo. Me viu ser demitida. Promovida. Me viu no topo e no limbo. Me viu chorar de felicidade ao abrir um vinho para comemorar uma conquista, um programa novo. E me viu chorar de frustração outras tantas vezes, abraçada ao travesseiro.

Filha peluda

Minha filha peluda me viu grávida duas vezes. Me viu tentando aprender a ser mãe. Me viu insegura em meio a fraldas e chupetas. Me viu amamentar sentadinha, em silêncio no meu pé. Me viu tentar educar, tentar ensinar, me viu brincar.

Minha filha peluda me conhecia como ninguém. Frase clichê, mas que ilustra perfeitamente o que era nossa relação. Porque com ela eu sempre fui eu. Sem maquiagem. Sem máscara. Sem tipo. Não existia nenhuma espécie de jogo. Eu só queria sua alegria ao me ver, ao subir no meu colo, ao deitar do meu lado. Da mesma forma ela só queria meu amor. Minha presença.

Mas minha companheira estava cansada. Sentia dores. Desmaiava com frequência. Tentei me acostumar com a ideia de que um dia ficaria sem ela. Mas não conseguia. Até que no último dia 23 de julho, enfim, ela olhou no fundo dos meus olhos, deu um suspiro…e logo depois foi embora. Pra sempre.

Antes de mais nada vale registrar que eu não estava preparada para me separar dela. Nem ela de mim. Mas tinha chegado a hora. Não sei se um dia a gente vai se encontrar de novo como dizem. Por outro lado sei que faria tudo de novo dezessete anos atrás quando vi um filhotinho branco minúsculo olhando no fundo dos meus olhos pedindo carinho. Foi amor à primeira vista…e eu vou morrer de saudade…

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