Tragédia em Parkland: como explicar?

Como explicar pros seus filhos a tragédia que aconteceu na escola em Parkland? Como dizer pra eles que, um belo dia, um ex-aluno entrou na escola com uma metralhadora AR-15? Como justificar que ele saiu atirando e matou 17 crianças? Sinceramente eu não sei lidar com essa situação, confesso.

Tragédia…como explicar para as crianças?

Claro que tentei o óbvio. Expliquei que o atirador é uma pessoa com problemas mentais. Afinal, quem  dispara o alarme de incêndio para fazer com que mais pessoas abandonem as salas de aulas para, então, conseguir atingir mais vítimas não pode ser bom da cabeça. Expliquei também que se tratava de um aluno solitário, estranho. Disse inclusive que existem sim pessoas más no mundo. Mas não sei se foi suficiente.

Nina e Maitê, ao verem a notícia pela TV, ficaram chocadas. Fizeram uma serie de perguntas impossíveis de serem respondidas. E, o pior, quiseram saber se isso pode acontecer na escola delas um dia. O que dizer? Que sim?

Preferi dizer que na escola delas tem um sistema de segurança forte. Policiais nas entradas. E muito mais. Mas não adiantou muito.

Elas quiseram saber sobre as vítimas. Sobre como as famílias receberam a notícia das mortes. Sobre como seria ir a escola depois de toda essa tragédia. E, sinceramente, é impossível responder a tais questões.

O que achei bacana em meio a essa tragédia foi a preocupação da escolas das duas na noite do crime. Prevendo que esse tipo de reação aconteceria, a diretora mandou uma mensagem de voz nos telefones dos pais dos alunos. Nela dizia que, por alguns dias, teriam um profissional a disposição dos alunos, para conversar. Dizia também que estavam tomando ainda mais providências com relação a segurança. E lamentava o ocorrido.

De minha parte tentei tranqüilizar as meninas. Juntas rezamos pelas vítimas e pelas famílias que perderam seus filhos, netos, primos, irmãos. Que tristeza.

8 Discussions on
“Tragédia em Parkland: como explicar?”
  • Minha querida, você pode acompanhar pouco hoje em dia, mas trabalhou muitos anos na imprensa brasileira, acho que você tem, sim, propriedade para falar do assunto. E se há uma diferença de tratamento por parte da imprensa e até do interesse das pessoas quando se trata de tragédias que ocorrem nos países mais pobres, isso eu tenho certeza. E você, realmente, não acha que posts de pessoas famosas, com milhões de seguidores, não ajudam em nada? Essa divulgação não é importante? Você não conhece o poder das redes sociais, ainda que seja só para fazer as pessoas refletirem, debaterem, ao invés de ficarem totalmente alienadas sobre assuntos mais sérios? Ou elas só servem pra mostrar a vida perfeita de alguns, e fazer publicidade? Qual a sua motivação, então, em postar #prayfor… no seu instagram? A minha questão levantada nem é essa, e sim, como as pessoas parecem se sensibilizar e envolver mais quando se trata de Europa e EUA, como se o caos dos países mais pobres não tivessem importância.

  • A Patrícia sempre faz posts aqui e no seu Instagram acerca desses ataques a escolas americanas, mas não faz qualquer menção às tragédias que assolam países africanos ou a Síria, por exemplo. Recentemente, na Nigéria, dezenas de meninas foram sequestradas enquanto estavam na escola, por um grupo extremista, para serem escravizadas. Na Síria, mais um bombardeio que proporcionou imagens tristes e impactantes de crianças desoladas…, mas surpreendentemente não vimos nenhum apoio, nas redes sociais dos famosos, a essas pessoas com alguma #prayfor que fosse, para, ao menos, demonstrarmos alguma solidariedade. É só quando ocorre nos EUA ou Europa, Patrícia?

      • Pati, está difícil de comentar aqui, a página fecha antes de postar o comentário, só dá pra comentar em poucas palavras…

      • Você não entendeu, Patrícia. Minha crítica é em relação a vista grossa que vemos por parte da mídia, em geral, e de pessoas famosas, a respeito de tragédias que ocorrem nos países mais pobres, se compararmos com a repercussão dada aos países ricos. Posso ter me enganado ao dizer que você nunca fez nenhuma menção, mas continuo achando que há uma tendência em dar mais destaque aos casos que ocorrem no “primeiro mundo”. Você como jornalista não vê essa diferença de tratamento?

        • Entendi! Mas não sei se concordo com relação a imprensa, principalmente no que diz respeito a brasileira. Tenho acompanhando pouco e não me sinto a vontade para falar. Sobre a imprensa americana sinto que eles dão muito mais atenção a fatos locais mesmo mas, vira e mexe tem correspondente nas áreas de guerra do mundo e eles fazem coberturas emocionantes! Já com relação a rede social o que percebo é que muita gente vai na onda. Se alguém famoso postou outros correm fazer isso como se postar uma foto e escrever uma # ajudasse alguém. O fato é que tira o peso da consciência de muita gente. Mas e aí? As crianças continuam morrendo. A guerra continua com força total. Post no instagram não salva ninguém.

  • O que vcs como pais pensam sobre isso? Visto que a segurança não está em lugar algum desse mundo… temos uma “falsa” segurança em achar que em um país ou outro estamos protegidos.

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